sexta-feira, 14 de junho de 2013



Podemos também inserir
Texto - No Aeroporto (Carlos Drummond de Andrade)
Antes da leitura
  • Conhecimento de mundo, abordando se os mesmos já ouviram falar ou conhecem: concerto; vilolino; orquesta Bach; aeroportos e até mesmo um quadrimotor.
Após Leitura
  • Saber se os educandos souberam identificar que Pedro era uma criança.
Objetivo
  • Desenvolver a habilidade de ler com expressão e sensações, sensibilizar o aluno a perceber o vazio que o autor irá sentir com a ausência de Pedro.
  • Capacidade de leitura: Decodificação (ler nas linhas); Compreensão e interpretação (ler entre linhas); Apreciação e réplica (ler por trás das linhas).

Pausa


Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:— Vais sair de novo, Samuel? Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz. — Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente. Ela olhou os sanduíches: — Por que não vens almoçar?— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche. A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:— Volto de noite. As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente... - Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel. - Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave. Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto. Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira. Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos. Dormir. Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos. Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente:ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio. Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.- Já vai, seu Isidoro?- Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.- Não sei se virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caía.- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo. Samuel saiu. Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa. ¨
Moacyr Scliar

Situação de aprendizagem

Público alvo: 8° ano
Pré – tarefa
1-      O que você costuma fazer aos fins de semana?
2-      Como sua família é constituída? (pai e mãe) – Apenas (Pai /Mãe/irmãos)
Habilidades
-Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto.
- Antecipação do tema ou ideia principal.
Tarefa – Conhecimento Específico
Apresentar a Música “Sossego” ( Tim Maia )
Texto complementar : Notícia( comportamento- Divórcio)
1-      Leia o conto e a notícia?
O que ambos temos em comum?
O relacionamento entre o casal é harmonioso?
Como você chegou a essa conclusão?
Na sua opinião, o marido agiu de maneira correta?
Como deveria ter se comportado?
O título do conto é adequado? Por quê?
Habilidades
-Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.
-Localização ou construção do tema ou ideia principal.
-Busca de informações complementares em textos de apoio subordinado ao texto principal .
- Construção do sentido global do texto.
-Identificar referências a outros textos, buscando informações adicionais se necessário.
Pós-tarefa
Atividade em grupo
1-      Você deverá adaptar o conto para o gênero notícia.
Habilidade
-Utilização, em função da finalidade da leitura, do registro escrito para melhor compreensão.

quarta-feira, 12 de junho de 2013


NO AEROPORTO
Carlos Drummond de Andrade
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores.
Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos.
Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis — porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade — e, até, que a nossa amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Reprod. Em: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973. p.1107-1108
Situação de aprendizagem

Público alvo: 6°ano
CONHECIMENTO DE MUNDO ( Pré-tarefa)
1-Na sua opinião, qual meio de transporte é mais eficiente?
2- Você já  teve a oportunidade de vistar o Rio de Janeiro? Quais locais despertaram sua atenção?
(Caso a resposta seja negativa, questionar se o aluno teria o desejo de conhecer)
3- O Galeão está situado na " cidade maravilhosa". Qual cidade tem essa denominação?
CONHECIMENTO ESPECÍFICO (Tarefa)
1- Grife as palavras que você não conhece o significado. Pesquise-as no dicionário.
2- Observe a frase " Viajou meu amigo Pedro.Fui levá-lo ao Galeão. O pronome em destaque, se refere a quem?
3- Leia o trecho a seguir.Qual é o sentido da palavra "desarmado" nesta frase?
"(...) e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me."
Pós-tarefa
E você, sente saudade de alguém? Escreva uma carta para essa pessoa contando como está sua vida.
Habilidades
Pré-tarefa
-Ativação de conhecimentos de mundo.
Tarefa
-Confirmação ou retificação das antecipações ou expectativas de sentido criadas antes ou durante a leitura.
-Esclarecimento de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário.
-Utilização das pistas linguísticas, sintetizando o conteúdo do texto. 
-Desenvolver a habilidade de ler com expressão e sensações, sensibilizar o aluno a perceber o vazio que o autor irá sentir com a ausência de Pedro.
-Capacidade de leitura: Decodificação ( ler nas linhas), Compreensão e interpretação ( ler entre linhas) , apreciação e réplica ( ler por trás das linhas).
-Construção do sentido global do texto.
-Identificação das pistas linguísticas responsáveis  por introduzir no texto a posição do autor.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Viajar pela leitura

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!"
Clarice Pacheco
A seguir, as  produtoras do blog  relatam como  se apaixonaram por esse mundo encantado da leitura:
O gosto pela leitura e a aprendizagem é um fator inerente ao crescimento pessoal e profissional, as histórias e os contos de fadas têm um valor fundamental nesta evolução, ajudando a criança na estimulação da sua criatividade e na aquisição de competências necessárias  para aprendizagem do gosto pela leitura e pela escritaE em casa não foi muito diferente, o gosto pelas histórias começou cedo, pois minha vó gostava de romances, gostava de ouvir "Eli Corrêa" e suas histórias contadas no rádio, então sempre que podia, sentávamos e conversávamos sobre as histórias contadas pelo Eli Correa, na casa de minha avó havia um pequeno acervo de livros, e sempre que podia comprava livros infantis para ler para as crianças da família que na época somente era eu e meu irmão.
Ela contava os contos infantis então visualizávamos e fantasiávamos, com  o anseio de saber o findar da história, que sempre aguçavam a minha imaginação, e dali partia em interpretar os personagens sozinha no quarto, ou seja, brincava e aquilo estimulava a minha imaginação, as histórias que eu sabia contava para minha amiga de infância e começávamos a brincar com aqueles personagens. E isso era maravilhoso, pois a leitura passou a fazer parte das minhas brincadeiras e quando possível fazia minhas "amiguinhas" brincar também fazendo então a multiplicação do conhecimento. Hoje tenho um filhinho de 1 ano e 10 meses, e leio pra ele desde que estava em meu ventre, e ele adora pois, mesmo sem saber falar vou lendo e mostrando as figuras e ele adora, e esse é o nosso compromisso fazer nossos alunos ter amor a leitura.( Fabiana Vieira da Silva)


  Na minha infância sempre gostei de ler, pois meu pai lia muito e desenhava maravilhosamente, então, não tinha como não perguntar o que ele estava lendo ou desenhando.
             Isso era bom demais, toda semana um gibi diferente, até o meu apelido foi copiado do nome da mulher do "Fantasma", gibi predileto do meu pai.
            Trabalho muito com gibis e tirinhas, acredito que os alunos "viajam" nesse mundo fascinante.( Eliane Ribeiro da Silva)


A minha experiência com a leitura começou quando eu ainda era muito pequena e ainda não sabia ler.A minha irmã mais velha, amava ler contos de fadas e os recontava para mim, só que sempre mudava os finais, ela os repetia e eu nunca enjoava, pois sempre esperava um final diferente.
Quando aprendi a ler, queria ler todos  os contos de uma vez só.
Li quase todos os livros da Coleção Vaga-lume. Amava "O caso da borboleta Atíria", "A ilha perdida", mas o meu preferido da coleção sempre foi "As aventuras de Xisto".
Com o tempo, fui conhecendo outros livros.Lembro-me que li "Pollyanna" mais de quatro vezes e confesso que até hoje jogo o "jogo do contente".
Amo ler porque viajo, emociono. Choro todas as vezes que leio " Tristão e Isolda". A verdade é que já chorei lendo outros também. ( Elaine Aparecida dos Santos Rodrigues)